entre chegadas e partidas

sem lenço, sem documento…

Arquivo de # resumindo viagens

Primeiro Andar – A chegada

Logo depois que Meli me respondeu dizendo que entre outras coisas iria me abrigar em sua casa, mantivemos com uma certa frequência pequenas conversas via msn, o que acabou sendo legal para início de contato.

Os dias passaram e a viagem começou. Primeiro foram 23h de ônibus, fazendo Rio x Foz do Iguaçu. De lá, um dia depois cruzei a fronteira e cheguei ao terminal de Puerto Iguazú, onde comprei passagem com destino a Santa Fé para às 20h. Como já havia me programado, deixei minha mochila maior num armário no terminal e segui ao Parque Nacional Del Iguazú, o lado argentino das cataratas.

Após um dia de muita chuva e queda brusca de temperatura, chego ao terminal por volta das 19h completamente ensopado. Eu tava todo molhado mesmo. Quando não era chuva, era molhado pela água que vem das cataratas.

Além do mais, não havia conseguido entrar na internet e ver se Meli tinha me respondido um email que enviará de Foz alguns dias antes, confirmando a situação do abrigo e como faríamos pra nos encontrar.

Ainda enxarcado, fui rapidamente a um super que havia em frente ao terminal. Era minha primeira experiência num supermercado na Argentina, era um daqueles mercadinhos, mas foi uma coisa legal. Comprei biscoitos e uma coca.

Fiz o resgate da mochila e fui direto ao banheiro, onde me enxuguei com a toalha que carregava comigo e consequentemente coloquei outra roupa. Torci bastante minhas vestimentas que se encontravam molhadas, mas não adianto muito… Pendurei mais ou menos elas na mochila para que tomassem um ar e não ficasse com cheiro de mofo.

Às 20h estava dentro do ônibus. Não me recordo a viação. Foram mais umas 12h de viagem. Serviram janta e café da manhã. O veículo também era muito bom aqueles de dois andares (como a maioria das frotas de lá). Como estava num banco individual (um dos lados tem duas poltronas e um outro lado apenas uma poltrona), consegui me acomodar e pendurar minhas roupas feito varal, cada peça foi secando em algum lugar do meu espaço.

A viagem seguiu tranquila. Me lembro de sempre perguntar ou tentar verificar onde estávamos cada vez que o ônibus parava em algum terminal para embarque ou desembarque de passageiros, afinal, eu não tinha muita idéia de onde realmente estava. Mas é isso, assim cheguei em Santa Fé.

Santa Fé

Santa Fé

Primeiro Andar – O contato

Como já comentei por aqui, por muitas vezes mesmo, me pego pensando nas pessoas. Essas pessoas que realmente passam pela nossa vida e nos deixam lembranças. Lembranças estas, que são completamente diferentes de pessoa para pessoa.

Coisas que variam desde a beleza, a simpatia ou mais alguns adjetivos. Coisas como o tempo ou o espaço. Coisas como o clima, como a situação.

Tudo pode se transformar nessa “marca”, ou seja, nessa lembrança específica dentro de nossos repertórios que nos fazem lembrar de alguém e/ou de alguma coisa.

Melisa De Angeli é argentina da cidade de Cerrito. Segundo seu facebook também, agora está “em um relacionamento sério” e se encontra com 29 anos.

Meli e Eu

Meli e Eu

Meli foi uma dessas pessoas que passou pela minha vida de um jeito que não esqueço mais. Enquanto organizava alguma coisa para minha viagem ao território argentino disparei via Couch Surfing e Hospitality Club algumas mensagens onde pedia abrigo em diferentes cidades pra diferentes pessoas.

No início mandei pra muitas pessoas que foram naturalmente se afunilando a medida que o contato foi avançando. Troquei alguns emails, mensagens e conversas no msn com um bom número mesmo, e nestes sites,  você quando não consegue abrigo, porque muita gente até quer (talvez não queiram tanto assim) mas não pode por inúmeros motivos abrigar alguém, estes se oferecem numa boa parte das vezes, a sair em caminhada ou beber alguma coisa em algum lugar.

Em meio a esta confusão de contatos que aconteceram na maioria das vezes num “portunhol” pra lá de malandro, apareceu a Meli. Ela me respondeu aceitando o pedido de hospedagem que havia mandado. Uma casa tinha arrumado, numa cidade onde nem tinha planejado estar. E foi assim, conversamos mais um pouco e depois nos falamos somente dias antes de partir para acertarmos tudo, o que pra variar, só acabou acertado em cima da hora como vocês vão ver.

Os carros, a poltrona e a volta pra casa

Já fazia tempo que planejava essa fuga. Planejava não, apenas pensava que logo pintasse uma pausa, uma oportunidade, eu iria partir. E foi isso que aconteceu nesses últimos dias, a volta pra casa, breve, mas mais uma volta pra casa.

Tudo já começou meio confuso, pois de cara não havia mais passagens na rodoviária. Pensei em desistir, desanimei. Peguei o telefone e disse a minha mãe que tava ficando complicado, sem passagem, ir no dia seguinte não compensava. Pois é, senti em cada resposta que eu realmente tinha que ir.

Acabei comprando duas passagens, fazendo uma baldeação. Fui de casa até uma cidade próxima e de lá pra casa seguindo viagem. Peguei o primeiro ônibus às 19h15 e quando desembarquei pela primeira vez eram por volta das 21h. Esperei algum tempo até que meu outro ônibus aparecesse. Algum representante da companhia informava a todos que estavam por ali esperando, que houve um acidente na estrada e ocorreria certo atraso. Com uns 30 minutos de atraso, o veículo enfim estaciona e começa a ser realizado o embarque. Já na fila, vi um homem ser barrado tendo o motorista lhe devolvido o bilhete e dito algo que não consegui entender. Logo veio minha vez, e assim como aconteceu antes, recebo meu bilhete de volta e os dizeres de que o meu carro era o outro que estava por vir. Muitas pessoas passaram pela mesma coisa. Quando já me preparava para mais algum tempo de espera, o “meu carro” apareceu, estacionou e novamente começou o embarque.

Com todos embarcados, um problema surge. Venderam duas vezes a poltrona 15. Para tudo! Chama o motorista! Depois de mais algum tempo, o representante diz a uma das mulheres que aquele não era o “seu carro”. Ficou acertado que se por acaso os carros se encontrassem na estrada, a troca seria realizada.

Já depois de partir, resolvo levantar minha cadeira, foi aí que descobri que minha poltrona se encontrava estragada. Sabe quando ela não trava aquela marcha que faz ela subir e descer? Pois é, a minha não travava e só ficava quase deitada. De qualquer jeito, vamo que vamo, e seguimos viagem!

Aqui do lado…

Estive pensando e relendo algumas dessas poucas, mas intensas coisas, que escrevi por aqui esses dias. No fundo só resumindo o que andei pensando, discordo que minhas viagens são plenamente turisticas como pode ter dado a entender tanto o post como os comentários. As viagens são em busca de muito mais coisa do que um simples turismo, e isso fica bem claro quando comento de que não importa pra onde se vai e sim que se vá. Podemos dizer que o “turismo” em si, fica no fato de estar viajando literalmente, carregando coisas rumo a um outro lugar, só isso, ou seja, o caminho, pois o que mais eu busco encontrar é simplesmente o “novo” (do qual já falei também).
Ah, sei lá se deu pra entender essa confusão de palavras e pensamentos…

Bom, mas hoje vim falar um pouco da nossa viagem a Governador Valadares esse fim de semana. Em busca de dar “uma pausa na rotina” saímos daqui no sábado e voltamos domingo. Foi tudo uma confusão, muita correria morta mas sempre bom!
Acabo que tivemos aula sábado pela tarde pra decidirmos algumas coisas de um trabalho que será realizado na faculdade, então ficamos presos (com aquela espectativa, né!) até umas 16h. Depois de aula, encontramos o pessoal e fomos embora!
Chegamos por lá em meio ao anoitecer, ficamos hospedados na casa do Bruno, ele vai e volta de lá constantemente. Ficamos resolvendo o que a gente iria fazer, acabou que compramos algumas coisas no supermercado e fizemos uma festa lá no terraço dele. Depois de nos embriagarmos um pouco e conhecermos o pessoal que estava por lá, demos um pulo no Iguana’s Pub que eu não achei nada demais, mas tinha bastante gente. Já bem tarde, ficamos por beber as últimas latinhas que havia na geladeira e comer mais alguma coisa antes de dormir.

Na estrada

Na estrada

No terraço...

No terraço...

Tião, eu, João e Bruno

Tião, eu, João e Bruno

Iguana's Pub

Iguana's Pub

O dia seguinte foi bem tranquilo! Acordamos, tomamos um café rápido e saímos rumo ao Pico do Ibituruna onde aconteceu o Paragliding World Cup. Muita gente participando e saltando do pico rumo ao lindo céu que fazia naquela manhã. Muito legal ver todo aquele movimento no céu, deve ser uma coisa louca mas ao mesmo tempo imensamente prazerosa saltar! Além dos competidores, muita gente salto por hobby mesmo, inclusive alguns de Asa Delta que deve ser no mínimo, mais tenso, né?!
Ficamos por lá o resto da manhã e boa parte da tarde. Fomos conversar com Rubão (Rubens Lopes), dono do bar que fica no alto do pico. Ele também vivi por lá, olha que maravilha! Estávamos nós conversando com ele, quando ele manda: – Acho que vo ali voa um pouco e depois eu quero é dormir! – E lá se foi ele, salto, voo por alguns minutos e logo estava pousando lá por cima mesmo.
Fim de tarde chegando e resolvemos começar o movimento para vir embora. Uma passada na casa da avó do Bruno, pra um almoço daqueles (comida caseira e de vó!) e rumo a estrada. Por volta de 20h já estava em casa e rumo a essa nova semana cotidiana de sempre!

Fiz algumas imagens em vídeo representando a Agência Objetiva, qualquer hora vejo se edito esse material e posto por aqui!

Um ponto amarelo num céu azul

Um ponto amarelo num céu azul

Partindo...

Partindo...

Nas nuvens

Nas nuvens

Curtindo o vento e o evento

Curtindo o vento e o evento

Casal curtindo o visual

Casal curtindo o visual

Asa delta

Asa delta

Agência Objetiva na área!

Agência Objetiva na área!

É isso aí,
Vamo que vamo!

Un belo dia, que belo dia!

Esses dias pra trás recebi um email da Rosa e do David, dois ingleses que conheci por minhas andaças em Cordoba. Diziam que estavam pelo brasil, perguntaram por onde eu estaria, se poderia lhes abrigar, entre outras coisas.

É realmente muito engraçado abrir a caixa de emails e dar de cara com esse tipo de email. Costuma acontecer também quando abro meu facebook (que eu não abro quase nunca), volta e meia tem recados e mensagens de pessoas que conheço por aí.

Digo engraçado porque são pessoas que passam pela sua vida e que dificilmente você espera encontrar depois. É tudo único, é tudo ali. Aqueles dias, aquelas horas. Quando é hora de dar tchau, ainda que ocorra aquela movimentação de trocar emails, facebook, telefones, e o que mais quiser, sabe-se que este contato nunca mais será o mesmo. Pode ser que alguns dias ou semanas após a partida ainda aconteça essa troca de informações, mas tudo muito superficial, como vai, onde está, o que anda fazendo, essas coisas…

E quando se está lá, durante os dias de convívio são como uma família. Como estamos todos meio sós, no fim das contas estamos todos juntos. Guardo somente boas lembranças de muitas dessas pessoas que encontro e convivo por aí. Bom, qualquer hora volto ao assunto e digo mais algumas coisas relacionadas.

Hoje é dia de falar de um belo domingo nas Sierras de Cordoba que começa na noite anterior quando resolvo que irei partir rumo a Mendoza somente na parte da noite e fico com o dia livre para visitarmos as serras, ou seja, este dia foi o meu último em Cordoba.
Levantamos bem cedo (o que me lembro ter sido muito difícil, pois noites em albergues sempre costumam se prolongar até tarde, neste caso, culpa das taças de vinho e dos copos de quilmes), logo tomamos café e partimos caminhando em direção ao terminal de minibus. Só especificando, fomos eu, Alejandra (uma mexicana encantadora), David, Rosa (os ingleses!), Denysse e Rosana (bolivianas que viviam na argentina perto de Buenos Aires) e Edgardo (mexicano também).

Terminal de Minibus

Terminal de Minibus

Esq pra Dir - Ale, Denysse, Edgardo, David, Rosa e Rosana

Esq pra Dir - Ale, Denysse, Edgardo, David, Rosa e Rosana

As Sierras de Cordoba são algumas cidades entre os vales que estão ao norte e ao sul de Cordoba, capital da Provincia homônima localizada na região dos pampas na Argentina.

Saindo da capital, ligada por autopistas e a somente 35km já vemos a Villa Carlos Paz, banhada pelo lago artificial San Roque. A Villa, é o centro turístico mais importante da região, contando com muitos hotéis, cassinos e uma vida noturna bastante animada. Não conheci Carlos Paz, apenas passamos por dentro da cidade parando em sua rodoviária para embarque e desembarque. A cidade me pareceu mesmo um refúgio, um escape para os finais de semana.

Lago São Roque e Villa Carlos Paz ao fundo

Lago San Roque e Villa Carlos Paz ao fundo

Mais ao sul, encontramos cidades com Alta Gracia, onde Che Guevara viveu durante parte de sua infância e adolescência. Como maior atrativo turístico, lá podemos conferir a casa onde ele morou que hoje é um museu.
Também ao sul, temos a Villa General Belgrano, vila com imigrantes alemães e suiços que tem sua arquitetura como referência na Argentina. É por lá no mês de outubro que acontece a Fiesta Nacional de la Cerveza, a Oktoberfest, recebendo milhões de turistas para desgutar cerveja de fabricação artesanal.

Bom, voltando a história, tínhamos somente aquele domingo pra fazer estes passeios e tivemos que escolher pra onde ir, não dava pra ficar zanzando do norte pro sul. Escolhemos ir para o norte, rumo a La Falda e La Cumbre.
Pegamos o primeiro minibus rumo a La Cumbre que era o ponto mais longe. Depois voltamos, chegando em La Falda.

A viagem foi super tranquila. Me lembro de vir sentado numa poltrona com uma mulher muito charmosa ao meu lado. Era uma ruiva, de aparentemente uns 25 anos, não me recordo o nome dela. Viemos conversando o caminho todo, me falava muitas coisas sobre a região e ia sempre apontando o dedo para fora da janela me mostrando coisas. Ela morava em Cordoba e nos finais de semana ia para tranquilidade da casa dos pais nas sierras. 

Chegando em La Cumbre, demos uma volta pelo centro, fomos até o posto de informação turística pegar algum mapa, algum material da cidade. No mesmo espaço estava tendo uma exposição de arte. Algumas coisas legais.
Caminhamos pela cidade, estava bem vazia por sinal. O clima estava ótimo.

La Cumbre

La Cumbre

Las calles

Las calles

Caminando

Caminando

Chegamos a ir no mirante onde havia o Cristo Redentor, mas ninguém animou de subir lá em cima. Em frente a entrada pra trilha na montanha santa, visitamos também uma igreja de São Francisco de Assis.

Montaña santa

Montaña santa

Cristo

Cristo

Logo voltamos a pequena estação de coletivos onde tínhamos desembarcado e ficamos a espera do ônibus que nos levaria a La Falda.
Descendo em nosso destino e depois de buscar algumas informações sobre o local, descobrimos que por perto havia um parque ecológico, chamado “7 Cascadas”, no final das contas resolvemos ir até lá. Lembro que não imaginávamos que seria tão longe, como a gente caminhou… Mas foi legal, vimos muitas coisas pelo caminho!

La Falda

La Falda

Ao vento

Ao vento

Ponto de ônibus

Ponto de ônibus

Companheiros de caminhada

Companheiros de caminhada

Lá vem os patos

Lá vem os patos

 E nunca que chegava...

E nunca que chegava...

Caminhando

Caminhando

Depois de muito caminhar (me lembro de termos andado muito mesmo!) e ninguém para pedir informações, fomos confiando nas placas e chegamos ao parque. As 7 Cascadas em si, não eram nada demais, mas o parque era bastante agradável e aconchegante. Ficamos por lá algum tempo, bebemos mate e comemos algumas coisas da lanchonete que havia por lá!

Um dos lados do parque

Um dos lados do parque

Algumas das "cascadas"

Algumas das "cascadas"

Banho de sol e rodadas de mate

Banho de sol e rodadas de mate

Cardápio!

Cardápio!

Pausa pro lanche e pro mate!

Pausa pro lanche e pro mate!

Resolvemos voltar porque já estava ficando tarde, só não esperávamos que ficaríamos perdidos! Pois é, saímos caminhando tentando achar o terminal para que pudéssemos retornar pra Cordoba. Acabamos inventando outro caminho pois achamos que tínhamos dado uma volta inútil na ida, no final das contas mesmo, foram mais algumas horas de caminhada, mais uma dose de visuais belíssimos e muita conversa boa!

No alto do morro em busca da terra onde se encontrava o terminal

No alto do morro em busca da terra onde se encontrava o terminal

A casa abandonada

A casa abandonada

lost...

lost...

Juventud X La Falda

Juventud X La Falda

Siga seu rumo!

Siga seu rumo!

Já anoitecendo, conseguimos encontrar o caminho. Foi bem divertido. Pegamos o ônibus rumo a Cordoba pois eu ainda segui viagem esta noite rumo a Mendoza. Eu e Ale didimos as duas poltronas durante o trajeto e tivemos momentos bem agradáveis conversando. Ela havia chegado do México para um intercâmbio em Cordoba onde pretendia estudar. Infelizmente me contou e falou muito sobre seu novio (namorado) que tinha deixado em sua cidade, mas não foi muito problema!
Assim que chegamos em Cordoba, nos juntamos a Henrique e Ronald, dois brasileiros que todos nós conhecíamos mas não quiseram nos acompanhar no passeio até as Sierras.
Uma pausa para a foto especial de despedida, e enquanto meus amigos seguiam rumo a um restaurante alemão para mais um dia de junta, eu seguia rumo a Mendoza, uma cidade nova, com uma galera nova, estava só novamente! Mas sempre pronto pra viver tudo novo de novo.

É hora de dar tchau!

É hora de dar tchau!

Brasileirinho

Ronald, eu e Henrique

Acho que é isso, é sempre bom relembrar tudo e almejar sempre essa vontade de fazer isso qualquer hora o mais rápido possível!

Lucas Telles

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